quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Comentário ao livro A forma do tempo de George Kubler

 

   O livro A Forma do Tempo de George Kubler, é bastante enriquecedor, nomeadamente na maneira como explica a sua forma de ver a arte. Pareceu-me interessante o modo como ele define as várias etapas da História da Arte e, consequentemente, da História da Cultura. Também é interessante o paralelismo que o autor faz entre a Arte e a Linguística. 

   Ao longo da leitura do primeiro capítulo, agradou-me muito o facto do autor chamar a nossa atenção para a evolução dos objetos com a passagem do tempo, afinal isso, nos dias de hoje, ainda acontece. Os objetos marcam a passagem do tempo e a evolução. Esta passagem deve-se ao facto de estarmos sempre em permanente mudança. Este facto também mostra como esta obra pode ser intemporal, no entanto, não deixa de revelar a época na qual foi escrita. 

   Para além da classificação dos objectos, a obra em questão, chama-nos a atenção para uma classificação de períodos históricos.  

   Ao lermos a obra de George Kubler, ficamos com uma noção de que o autor procura metodologias e instrumentos globais, de forma a que seja possível aplicar à investigação das culturas. O facto de o autor ter esta abordagem é, na minha opinião, bastante enriquecedor, pois permite alargar horizontes e ter outros caminhos para investigar. Este livro de George Kubler recorre a evidências, metodologias e teorias usadas pelos antropólogos para a história da arte. 

   Uma das ideias que, ao longo da leitura, me agradou foi o facto de o autor fazer referência à ciência e à arte, encontrando pontos comuns entre as duas áreas. Kubler, na minha opinião, apresenta uma definição complexa de obra de arte.

A obra em questão reflete sobre o modo como podemos construir referências para a identidade de um determinado grupo. Afinal cada objecto demonstra a personalidade do seu autor.

  No decorrer da leitura, chamou-me à atenção o modo como Kubler faz referência ao historiador e ao pintor. O pintor revela a identidade do objecto através da sua obra, já o historiador é mais específico procurando observar a realidade que o rodeia. O pintor pinta e inova enquanto que o historiador observa e analisa. Neste sentido, julgo que temos razões para dizer que esta obra nos faz pensar sobre as várias concepções de arte existentes.

     Kubler, neste livro, estabelece uma analogia entre o astrónomo e o historiador, na medida em que ambos estudam o passado. Contudo, o astrónomo fá-lo numa escala diferente, estuda o que já aconteceu há um milénio, enquanto que o historiador fá-lo no século passado. Na minha opinião, este parágrafo é um dos que está na base do título do livro, ou seja, ambos pretendem dar forma ao tempo. Esta situação torna-se um pouco repetitiva uma vez que se faz pela milionésima vez referência ao tempo, embora seja em períodos diferentes. 

   Para o leitor conseguir acompanhar o raciocínio de George Kubler, na minha opinião, deve ter em conta os factores que evidenciam as mudanças. Estas mudanças derivam de factores físicos e psicológicos, pois estas possibilitam um melhor entendimento da arte. 

Ao longo da obra, temos presente a ideia de que os objectos se enquadram em séries, a ideia de que cada obra relevante, altera toda a cadeia de obras de arte, criando assim novos horizontes.

No sub-capítulo As divisões das artes, Kubler reflete sobre a queda do termo belas-artes, em meados de 1920. Achei curioso o modo como o autor reflete sobre esta decadência, pois critica esta caducidade. A sua crítica pareceu-me bastante pertinente, uma vez que, acaba por agrupar diferentes tipos de arte. O que faz com que a distinção de arte seja mais clara. Acabando assim por mostrar que dentro da arte existem algumas falhas na sua classificação qualitativa. Ao mesmo tempo, faz-nos pensar na missão do historiador.

   George Kubler chama-nos a atenção para a passagem rápida dos tempos históricos.

   Este livro insiste muito na questão do tempo o que, na minha opinião, é um pouco exagerado. Por outro lado apresenta ideias e metodologias bastante complexas em relação à história da arte. Na minha opinião, o vocabulário de Kubler é tão complexo quanto as metodologias que apresenta. 

 A analogia referida no sétimo parágrafo é bastante pertinente e pode constituir um factor de interesse para o leitor. 

   Este livro faz-nos pensar na capacidade artística  de dar uma nova forma ao tempo, de se recriar o tempo.  

 


 


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