O conto Da minha janela foi primeiramente publicado no livro solidário “pedaços de… nós ” Da minha janela Todos os dias, pela manhã, independentemente da hora e das rotinas do dia, o meu olhar era como um imane, parecia mecanizado, a minha visão era logo direcionada àquele pedaço de monumento que conseguia ver da minha janela. Era como um ritual inconsciente, mas que me alimentava a alma. Eu gostava do que via, era uma arquitetura barroca e soberba; contudo, remexia com os meus sentimentos, um misto de vazio, medo, luxúria que despertava em mim uma curiosidade inabalável. Daquele sítio eu conseguia ver várias clarabóias onde incidiam os raios de sol. Havia um pequeno varandim de ferro. Viam-se ainda arcos e pequenos bancos, e um piano, arpas e corredores que se ligavam entre si. Ao redor do monumento a natureza tinha abusado da beleza, com árvores gigantescas que serviam de casa às mais diversas espécies de aves e em dias de calor serviam de sombra a quem ali p...