Conscientemente,
criamos palcos de imaginação, onde a cada momento sonhamos. Formamos
heterónimos, ficamos presos a uma personagem, damos vida ao imaginário e,
enfim, somos leves e felizes como uma flor em dia de primavera.
Eu nunca tive
nenhum amigo imaginário (e bem sei que heteronomia não se assemelha, mas a
analogia é inevitável) mas assisti à amizade de um pastel com uma menina loura.
Ela rodava sobre as cadeiras, jogando um jogo; ela estimava e venerava o amigo
cuidando de ser amiga; ela cantava-lhe, Sempre
há sempre alguém, (mas não consta que quisesse ser cantora); ela queria
apenas cativá-lo pois já antes ele a cativara. Os tempos mudaram e Lúcia seguiu
o seu caminho. A amizade está guardada num cantinho especial mas nunca mais
voltaram a brincar.
Sucedera-lhe a
homónima da rainha coroada depois de morta e que imaginava ser uma pequena
grande escritora. Seguiu o seu caminho em frente, parou em estudos portugueses.
Na sua história não há registo de amigos imaginários mas tem alguma queda para
a heteronomia, e assim vive criando novos sonhos, imaginando novos caminhos,
vivendo outras vidas.
Enfrentar o
mestre dos imaginários, o mestre que é diferente a cada momento, que conta as
flores no universo, mas tão depressa muda e percorre o seu destino. Voar por
outros universos será o meu próximo objetivo como escritora. Mas primeiro há
que conhecer bem o mestre, para depois, quem sabe, seguir a sua arte.
Difícil, mas é
a arte de ator da escrita.
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