A história de um marinheiro

  O meu sonho tem agora mais um parágrafo. Contudo, este parágrafo pode ser alterado.

Esta madrugada passou uma mulher em Alfama que com a sua voz grossa me fez rebolar na cama. A cama estava ao pé da janela e por isso conseguia ver o efeito que a luz dos seus olhos fazia ao aparecer no céu. Era um efeito apaixonante que, na bonança após a tempestade, trazia brancas nuvens em forma de corações e sonhos. Esta imagem sonhadora ficou-me presa na memória ao adormecer, sonhando eu com um marinheiro a quem Deus deu o nome de Thomas. Neste sonho Thomas conseguiu despertar-me os sentidos da paixão. O primeiro sentido acelerou o meu coração, o segundo sentido fez-me ficar com vontade de saborear os seus beijos e sentir o toque das suas mãos na minha face. 

A minha vontade concretizou-se os seus beijos tinham sabor a menta e por isso mantinham-me a boca fresca. Ao sentir o primeiro beijo as outras partes do meu corpo também ficaram frias, mas consegui aquecê-las rapidamente ao envolver-me nos seus braços musculosos.


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